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Democracia e Escola Pública (Parte I)


Entre as duas grandes guerras do século XX, muitos professores alemães propagaram a doutrina oficial do Estado. Esta doutrina mais tarde justificaria o extermínio de cerca de seis milhões de judeus (e outros grupos como portadores de necessidades especiais e  ciganos)  em campos de trabalhos forçados e câmaras de gás.

Sim, muitos professores alemães, tanto pela ação quanto pela omissão, foram peças fundamentais para que um genocídio acontecesse. 

A escola é a maior força política de um povo. Seja ela ativa ou omissa, seu trabalho determinará os rumos de toda ccomunidade. Os educadores precisam perceber as implicações políticas de suas ações e omissões. Precisam perceber que formam ou pensadores ou massa inerte de manobra.

Esse fato vem de encontro à postura atual de sservidores da educação que declaram, em tom passivo e débil, serem empregados do Governador, e que por isso seguem cegamente o Currículo e determinações do Estado.

A Escola Pública Estatal, antes de ser Estatal, é pública. Ou seja, existe para a comunidade e a partir da comunidade.

Uma vez que a comunidade é humana, a Escola deve servir em primeiro lugar ao humano e a seus direitos mais sagrados: direito à liberdade, à vida e a uma existência plena de dignidade e dos mais variados sentidos.

Desta forma, qualquer ortodoxia sugerida pelo Estado que esmague, oprima ou mesmo ofusque o esplendor humano, deve ser intensamente rejeitada e combatida pelos professores e pela comunidade local. Assim, o Currículo e as diretrizes dos governos (ou de qualquer outra instituição) devem ser alvo de vigilância, reflexão e crítica perenes. Nunca devem ser simplesmente aceitos como naturais, divinos, imutáveis e acima de qualquer suspeita.

Espero que os professores da América Latina não escorram pelo ralo da história como os mestres nazistas. Anseio que militem ao lado de seus estudantes, até à morte se necessário, por uma vida justa, bela, e de pés, mentes e lábios desatados.