7.12.15

São Paulo-BR: Students Beat Authoritarian Government







After some weeks of fight in occupations of schools and manifestations on the streets, the students got a first great victory upon a so far unbeaten government.

The governor that has never lost an election or dispute against a social movement had to give up the reorganization of the educational system planned to 2016.

After an abrupt decrease of popularity due to the violent repression from the police against students, the judiciary power started the process of reorganization.

Sustainable Environment: Comparing Brazil and Japan



Japan is a major example of the sustainable environment. Besides that, it presents a complex economy, and Japan didn't destroy their forests.

Japan chose to import their food, minerals and other feedstocks, instead of transforming it's natural landscapes.

On the other hand, the brazilian farmers have been fighting to destroy the rivers, forests, bays in name of progress.

In five hundred years, the brazilian elite devastated the Atlantic Forest. It was one of the richest biomes in biodiversity of the the world.

Comparing Brazil and Japan, it is clear that economy developing is not a synonym of environment degradation.

27.11.15

São Paulo-BR: The Students Are Occupying The Schools



In Brazil, the students are occupying the schools in response to the authoritarians decisions of São Paulo's Governor.

The government said that the changes will bring improvements and better quality for education. However, the education department announced the closing of 96 schools.

According to students, they were not informed about the closing and changing of the schools; and the changes are to cut costs and diminish the system of education.

The governor's party has been disrupting the educational system through low salary and less and less investments in infrastructure and teacher's formation. Besides that, the quantity of children per class is growing in the last twenty years.

There has never been a movement of this magnitude between secondary students in Brazil.

I am very proud of this generation.

Authors: @thiagomvaz and @GentinaFG

9.4.15

Sim, Estou Em Greve!




Salve Galera

Resolvi escrever esse texto porque não consegui conversar com todas as turmas. Gostaria de justificar porque entrei na greve, não só para vocês, mas para seus pais também.

Em primeiro lugar, quero deixar claro que não sou simpatizante e muito menos militante de partido político nenhum, nem faço parte do sindicato dos professores. Não sou petralha, não sou coxinha, nem agitador... Eu sou professor, e dentro do que a constituição e os valores da minha família me permitem e me obrigam a fazer, estou lutando pelo que acho certo e justo pra mim e pra vocês.

Bom, por que estou em greve?
Vamos pensar alguns números pra variar...

Esses dados são 2013. Não mudou muito de lá pra cá.

Verba pra educação era de 24 bilhões e 260 milhões de reais. O Governo do Estado é obrigado e gastar esse valor exclusivamente com educação. Essa verba é maior do que a maioria dos estados tem para gastar com segurança, educação, saúde, etc...

A rede estadual conta com um pouco menos de 4 milhões e 200 mil estudantes.

Dividindo a verba pelo número de estudantes obtemos o valor de 5800 reais por aluno por ano.

Dessa forma, você estudante recebe (teoricamente) um investimento do estado de cerca de 450 reais ao mês. Assim, uma turma com 40 pessoas recebe um investimento por mês de 18 mil reais.

A primeira pergunta que faço: Quanto desse dinheiro é utilizado para pagar os professores?

Um professor que acaba de ingressar, recebe R$12,20 por aula no Ensino Médio. Mas nesse cálculo eu vou supor que em média cada professor receba 15 reais por aula.

Pois bem, 30 aulas por semana vezes 4,5 semanas por mês, vezes 15 reais dá um montante de R$2025 reais por turma a cada mês. Ou seja, apenas 11% dos 18 mil reais.

O que é feito com os outros 89%, ou seja, com os 16 mil reais restantes? Em nossa escola temos 14 turmas no de ensino médio, o que nos dá uma verba após pagar os professores de cerca de 224 mil reais por mês, em nossa escola... No estado há um total de 5600 escolas...

Pois bem, nesse ano foi cortado a verba dos suprimentos, que utilizamos para comprar sulfite, produtos de limpeza e higiene pessoal... Por isso os professores foram obrigados a solicitar que vocês comprassem papel para impressão das provas e atividades. Isso não aconteceu só na nossa escola, mas no estado inteiro...

224 mil reais... Como será que é gasto? Bom deve ser pra pagar água, luz internet, merenda, pagar os funcionários da secretaria e da limpeza... Bom, na secretaria trabalham umas três pessoas. Se tem um povo que ganha menos ainda que o professor é o povo da secretaria. O povo da limpeza é terceirizado. Acredite, eles ganham muito muito muito mal. As merendeiras são funcionárias da prefeitura, então o salário delas não sai do caixa do Estado. Tem eletricidade... tem a água (ainda). Vou chutar bem nas nuvens que essas outras coisas exijam um investimento de mais uns 40 mil reais. Ainda assim sobra uma soma de 180 mil reais só contando o ensino médio. Se contarmos o Ensino Fundamental esse valor esbarra em 300 mil reais por mês que deixa de ser investido em vocês!

180 mil reais por mês... Pra onde será que vai?

Construção de novas escolas é que não deve ser, visto que o Governador fechou nesse ano 3390 turmas. Se fechou tantas salas, não precisamos de escolas novas.

Deve ser com material didático então?! Pois esse ponto é interessante. Como se fossem dois machos rivais que urinam para marcar território, o Governo Federal fornece livros do “programa nacional do livro didático” e o Governo do Estado fornece o Caderno do Aluno, a apostila que você já conhece. Não interessa se é bom ou ruim. O fato é que vocês recebem dois materiais de biologia, dois de português, dois de física, etc... e pra quê? Guerra política = Desperdício de recursos.

Pois bem, esses dados não são novidade pra ninguém. Que o Governo administra de forma perversa e descarada a verba da educação todo mundo sabe. Que o Estado de SP submete a categoria “Ó” a um trabalho semi escravo sem direitos trabalhistas, plano de saúde, etc... é de conhecimento público. A novidade de 2015 foi o corte de verbas e o fechamento das milhares salas.

Fechamento de turmas significa o aumento do número de estudantes por sala e maior dificuldade de se encontrar vaga perto de casa. Aliás, a Diretoria de Ensino de Jundiaí foi a quinta do Estado que mais fechou salas, num total de 153.

O corte de verbas sem aviso prévio deixou muito diretor de cabelo em pé. Quem reformou no fim do ano não tem como pagar os gastos, e quem não reformou vai ficar sem reformar. Tem escola que está orientando seus estudantes a trazerem papel higiênico de casa, porque não tem grana pro mínimo do mínimo.

Além disso, tem escola que não tem água. “Fazer o que, não choveu... O Governo não tem culpa que não choveu...” dirá o ingênuo mal informado. Contudo, verifique se há alguma lavoura de exportação ou alguma indústria de grande porte sem água.

Não vou dissimular e dizer que a greve não tem nada a ver com reajuste salarial. Tem sim. Um salário digno atrai para a lousa pessoas que, com razão, apesar de competentes e entenderem a importância da escola pública, não se submetem a uma jornada de trabalho exorbitante para conseguir o mínimo para a sobrevivência. Em 2014 me vi trabalhando no Estado e em mais duas escolas particulares. Chegou uma hora que eu não tinha tempo, nem energia e nem humor para ler, pesquisar e preparar uma aula minimamente decente. Por fim eu larguei uma das escolas e reduzi minha carga na outra, o que reduziu bruscamente a minha renda. Com um salário melhor eu poderia me dedicar exclusivamente a escola pública e com certeza muitas pessoas migrariam definitivamente para a docência. O Estado se nega, mas ele pode remunerar muito melhor os seus profissionais, desde que administre com mais inteligência e menos astúcia.

Diante de tudo isso, depois de pensar bastante, decidi pela paralisação. Entenda que entrar em greve não é nada simples. Ficarei sem salário, depois terei que repor as aulas nas férias e ou nos finais de semana, sem falar que esse tempo empurra minha aposentadoria para frente.

Mas não peço simplesmente que vocês entendam o meu lado. Eu quero que vocês percebam que vocês são os mais interessados na melhoria da escola pública. Organizem-se e lutem.

Se os funcionários de uma fábrica cruzarem os braços, a produção para e o patrão se vê obrigado a negociar para que ele possa continuar lucrando. Agora, na escola não se produz bens de consumo. O governador está pouco se lixando para a greve. Para ele são só alguns milhões que ele vai economizar com salários dos grevistas. Ele não está preocupado com a sua formação, caso contrário ofereceria outra escola para vocês.

Assim, o que eu espero de vocês é que se posicionem politicamente, não entre o vermelho ou o azul, mas sim pelo o que é justo. Dignidade é nosso direito enquanto seres humanos. Educação de qualidade é um direito de vocês enquanto cidadãos. Dela depende tudo. Então lutem. Não se percam no senso comum, na futilidade, no consumismo. Não sejam mais um imbecil na frente da televisão ou entre fones de ouvido. Duvidem de absolutamente tudo, inclusive de mim. Organizem-se. Questionem. Investiguem. Boicotem. Desobedeçam. Eu acredito em Vocês! Até a Volta!


18.2.15

Democracia e Escola Pública (Parte 2)

Comemoramos o fim da ditadura militar e celebramos nossa jovem democracia com ares triunfalistas, como se esta estivesse consolidada. Contudo, creio que a discussão acerca da democracia está mirrada.

Não acredito que exista de fato democracia no Brasil. O povo brasileiro, assim como os demais povos latino-americanos, nunca decidiram absolutamente nada.

O modelo político vigente é um dos promotores dessa falsa democracia. O povo decide unicamente quais partidos governarão o país, mas as decisões que podem transformar as realidade sociais são tomadas  fora da esfera popular. Depois das eleições o povo fica impotente e alienado do poder. Os partidos políticos, os grandes grupos econômicos, as organizações internacionais (como o FMI, Conselho de Segurança da ONU, OMC, etc...) e os grandes grupos midiáticos, manobram os países do terceiro mundo.

Penso que a democracia latino-americana é amputada e está longe de ser genuína. Um povo sem educação é incapaz de analisar criticamente seu lugar na história, e não é hábil o suficiente para discernir manipulações e abusos políticos, patronais e religiosos.

Nesse sentido, a escola brasileira é a herdeira cultural da ditadura militar. A escola, com suas rotinas engessadas, disciplinas desprovidas de sentidos e valores, com conteúdos muitas vezes inúteis, é o principal instrumento de amputação das liberdades mais inerentes ao espírito humano.

Nesse período de redemocratização, a escola brasileira se mostrou incapaz de exaltar a "crítica" sobre o "conteúdo", e a "criação" sobre a "memorização". Numa ditadura, um cidadão crítico e criativo é um sujeito perigoso, mas a inteligência e a autonomia são indispensáveis ao estado de direito.

Uma escola em que o aluno não decide absolutamente nada, que não goza de nenhum grau de autonomia e liberdade, e que é mutilado com atividades e provas compostas de questões fechadas e binárias, forma, sobretudo, "cidadãos" incapazes de reconhecer seus direitos e lutar por eles, de escolherem e de expressar suas ideias e escolhas.

Portanto, não há democracia sem educação libertadora, gratuita e para todos.

16.2.15

Democracia e Escola Pública (Parte I)


Entre as duas grandes guerras do século XX, muitos professores alemães propagaram a doutrina oficial do Estado. Esta doutrina mais tarde justificaria o extermínio de cerca de seis milhões de judeus (e outros grupos como portadores de necessidades especiais e  ciganos)  em campos de trabalhos forçados e câmaras de gás.

Sim, muitos professores alemães, tanto pela ação quanto pela omissão, foram peças fundamentais para que um genocídio acontecesse. 

A escola é a maior força política de um povo. Seja ela ativa ou omissa, seu trabalho determinará os rumos de toda ccomunidade. Os educadores precisam perceber as implicações políticas de suas ações e omissões. Precisam perceber que formam ou pensadores ou massa inerte de manobra.

Esse fato vem de encontro à postura atual de sservidores da educação que declaram, em tom passivo e débil, serem empregados do Governador, e que por isso seguem cegamente o Currículo e determinações do Estado.

A Escola Pública Estatal, antes de ser Estatal, é pública. Ou seja, existe para a comunidade e a partir da comunidade.

Uma vez que a comunidade é humana, a Escola deve servir em primeiro lugar ao humano e a seus direitos mais sagrados: direito à liberdade, à vida e a uma existência plena de dignidade e dos mais variados sentidos.

Desta forma, qualquer ortodoxia sugerida pelo Estado que esmague, oprima ou mesmo ofusque o esplendor humano, deve ser intensamente rejeitada e combatida pelos professores e pela comunidade local. Assim, o Currículo e as diretrizes dos governos (ou de qualquer outra instituição) devem ser alvo de vigilância, reflexão e crítica perenes. Nunca devem ser simplesmente aceitos como naturais, divinos, imutáveis e acima de qualquer suspeita.

Espero que os professores da América Latina não escorram pelo ralo da história como os mestres nazistas. Anseio que militem ao lado de seus estudantes, até à morte se necessário, por uma vida justa, bela, e de pés, mentes e lábios desatados.