19.10.13

Aula no Embu

Essa aula rolou no Cursinho do Embu no dia 18.10.13

O tema da aula era Momento de uma Força (ou torque). Depois da explanação, vimos um vídeo do judoca Koga em que ficava evidente os conceitos da aula no Ippon Seoi Nage.

Como minha aula avançara sobre a aula de geografia, o professor Gedson adentrou a sala e foi convidado a participar da demonstração...




3.10.13

Mudar Para Permanecer

Nas últimas dez semanas repensei minha vida profissional. Considerei se realmente gostaria de passar meus próximos 30 ou 40 anos a dialogar sobre ciências da natureza com adolescentes.

Essa reconsideração nasceu de uma exaustão. Confesso que estou exaurido e desanimado.

Quando penso na dependência tecnológica que os países do terceiro mundo tem em relação aos países ricos, e como essa dependência gera miséria, exploração, degradação ambiental e humana, fico profundamente aterrado. Creio que a educação científica do jovem latino americano pode mudar esse quadro.

Contudo, quando vejo meus alunos entorpecidos pela tecnologia que os aliena, completamente desinteressados pela própria vida acadêmica e formação intelectual, e com a identidade cultural adoecida, sou acometido por uma sensação paralisante de impotência e frustração. Como lidar com alunos que não vêem qualquer sentido no próprio processo educativo?

Estou ciente de que esse quadro não é exclusividade de meus estudantes, mas é geral no Brasil e América Latina. Historicamente o professor foi proletarizado ao mesmo tempo em que a educação de base foi sucateada. Não posso negar que a universalização da educação representou um grande avanço no Brasil. Contudo ela foi feita mais pela força da lei do que por uma real expansão dos recursos e estruturas educacionais. O resultado dessa universalização mal executada é o que se vê agora.

Claro que a esses processos da própria educação pública deve se somar outros fatores:

i - A mídia que promove a alienação e desculturalização;
ii - A sociedade, tão gritantemente, dividida em classes;
iii - A má formação dos educadores (a começar pela minha);
iv - Currículo arcaico, que serve aos interesses do capital e implora para ser reformulado;
v - Livros didáticos que atendem à demanda dos vestibulares em detrimento das demandas sociais.

Concluí com essa reflexão que continuarei na carreira de educador, DESDE QUE persiga e conquiste as seguintes mudanças:

A - Migrar definitiva e integralmente para a educação pública.

B - Prosseguir no estudo da Filosofia e Sociologia da Educação por muitos anos (quiçá até o fim da vida).

C - Produzir novos materiais didáticos.

D - Mudar-me para um município menor, relativamente distante de determinadas mazelas urbanas e com melhores condições de vida e ambientais.

Mudo.

Insisto.

Permaneço.

{Sugiro que todos assistam o vídeo produzido pela Univesp Tv sobre Capital Cultural, baseado nas idéias de Pierre Bourdieu}

22.6.13

Inquietações Sobre a Democracia



É interessante como os brasileiros enchem a boca para dizer que vivem numa democracia. Mas o que isso de fato significa?

Seguem algumas inquietações:

1 - O termo democracia deve sempre ser definido no tempo e no espaço.

Quando dizemos que "vivemos numa democracia", a qual democracia nos referimos? É a democracia ateniense, onde só o homem livre tinha direitos políticos, que se está em questão?

Perceba que na Grécia antiga se falava de democracia ao mesmo tempo em que as lavouras e os palácios estavam cheios de escravos. O termo democracia na Europa no contexto da Revolução Francesa tinha um sentido completamente diferente do sentido dado ao termo na Grécia Antiga e assim por diante. Cada sociedade, que se julgava democrática, teve um conceito próprio de democracia.

2 - Faz sentido um Estado Oligárquico se definir democrático?

Se os poderes econômicos e midiáticos estão nas mãos de uns poucos, então, uma Oligarquia de fato (embora não em teoria), governa e se mantém no poder perpetuamente.

Literalmente, democracia significa "governo do povo". Mas, pode governar algo, um povo que nem ao menos sabe que e o que governa? Uma sociedade que não foi educada para o questionamento e reflexão, e que tem a opinião formada por uma mídia que informa como quer e nega-se a debater, não é nem de longe uma sociedade governada pelo povo.

3 -  Uma democracia não promove governos ditatoriais.

Os EUA declararam sua independência da Metrópole inglesa sob os ideais da revolução francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Contudo, constitui-se em uma das nações mais racistas que o mundo já conheceu.

Além disso, financiou e apoiou golpes militares que resultaram em regimes ditatoriais por toda América Latina entre as décadas de 50 e 80 do séc. XX.

Igualmente no Oriente Médio, apoiou genocídas, invadiu nações e patrocinou regimes anti-democráticos, em nome do controle do petróleo, e monopólio do fornecimento de armamentos.

Ninguém contribuiu mais para consolidação de regimes autoritários quanto a "democracia" norte-americana.

4 - Direito de Expressão não é sinônimo de possibilidade de transformação social.

Poder dizer o quiser não é suficiente para tornar um país em um Estado democrático. No Brasil, por exemplo, pode-se falar o que quiser sobre a Educação Pública. É permitido organizar protestos, passeatas, greves e boicotes em favor da Educação. Mas isso não significa necessariamente que o povo tenha alguma influência nos rumos da educação no país.

Não se pode confundir direito de expressão com democracia. Numa democracia há direito de expressão, entretanto a democracia não consiste nisto. Ela consiste no governo do povo. Permissão para falar não implica possibilidade de transformar.

5 - Direito de votar associado com patrocínio privado de campanha e baixo nível educacional favorece à permanência de Oligarquias no poder.

Democracia não consiste no direito de votar. Escolher os rumos da nação vai muito além do que digitar números numa urna.

Para escolher de fato, é necessário conhecer igualmente todas as opções. Contudo, a divulgação dos canditatos e partidos é patrocinada por poderes econômicos de forma desigual. Isso faz com que alguns candidatos sejam amplamente divulgados na mídia, por meio de cartazes, carros de som e panfletos {que por vezes emporcalham a cidade}, enquanto que outros candidatos não são conhecidos pela maioria.

Além disso, para escolher de fato, é preciso ter habilidade de interpretar textos e refletir sobre discursos; é necessário conhecer minimamente a história e características geográficas, econômicas, sociais e culturais do país. Ou seja, para que democracia, é necessário que todo o povo seja educado para pesquisar, refletir, discordar, analisar e construir a própria opinião.

6 - Conclusão

Penso que o Brasil passa por um estado de euforia democrática completamente ilusório e entorpecedor.

No que diz respeito a democracia no Brasil, há muito mais para se construir e consolidar do que para se comemorar.

É certo que o Brasil tem muitos problemas a serem enfrentados, como a corrupção e a questão da distribuição da terra. Contudo, meu palpite é que devemos começar pela Educação, que é o maior entrave para o florescimento social e econômico que o Brasil precisa e merece.

1.6.13

Sonho Nosso De Cada Dia


Sonho com o dia em que não se ouvirá mais sobre super-potências invadindo países pobres sob quaisquer justificativas.

Que venha o dia em que não se ouvirá mais sobre mulheres sendo tratadas como lixo por gente frustrada e por (de)compositores de quinta categoria.

Sonho com o dia em que adultos abraçarão as crianças e a palavra "pedofilia" não subirá a mente de ninguém.

Aguardo pelo dia em que as crianças da América Latina não serão mais educadas para o mercado de trabalho, mas para forjarem uma cultura que irradia vida e dignidade.

Sonho com o dia em que os cristãos repudiarão os impérios denominacionais e os tele-evangelistas. Quando eles voltarão aos grupos modestos, à caridade; e abandonarão os prédios, denominações, arrecadações e lobos sob holofotes à própria sorte.

Almejo o dia em que todos se darão conta de que o pseudo-amor por seus pets, profissão e pelo reflexo  de seus corpos em espelhos de academia, não substitue o amor verdadeiro de nossos familiares.

Que venha o dia em que os sonhadores despertarão guerreiros e lutarão com tudo o que são para que a vida não passe de uma noite interminável.

21.5.13

Educação Privada e Idoneidade - Parte I

Inicío aqui uma série de 8 postagens que analisarão aspectos que apontam para a (não) idoneidade de escolas particulares.

Primeiramente, gostaria de ressaltar que é necessário uma concessão pública que para se abrir uma escola . Ou seja, os "donos" das instituições privadas não podem pensar em termos de "a escola é minha e faço dela o que eu quiser". A escola deve servir à comunidade em que está inserida.

Uma escola é constituída necessariamente por uma comunidade de professores e estudantes. Toda comunidade deve participar das decisões políticas da instituição, seja ela administrada pelo poder público ou pelo capital.

O primeiro aspecto a ser analisado é a relação entre o valor cobrado nas mensalidades, e o salário pago aos professores.

Creio que todos hão de concordar que uma escola que tem condições financeiras de, com muita tranquilidade, pagar um determinado salário para seus docentes, e deliberadamente paga um salário muito menor, prioriza o lucro em detrimento da qualidade da educação.

Pensemos numa escola hipotética. Ela tem em média 35 alunos por sala e cobra uma mensalidade de 800,00 Reais. Além disso, essa escola paga ao professor 30 reais por cada aula ministrada.

(800,00 reais) X (30 alunos por sala) = 28.00,00 reais por sala

 Desta forma, uma única sala rende para a escola o montante de 28 mil reais.

Passemos a calcular quanto custa uma sala para a escola se considerarmos apenas o salário dos professores. O custo é dado pelo produto do número de aulas semanais,  pelo valor da hora-aula paga ao professor, vezes 4,5 semanas por mês.

Assim, o custo da sala em questão é de:

 (30 aulas) X (30 reais) X (4,5) = 4050 reais

O saldo positivo de uma única sala é de:

(28.000,00 reais) - (4.050,00 reais) = 23.950,00 reais. 

É óbvio que a escola tem outros gastos como água, luz, iptu, imposto de renda, 13° salários e férias, salário dos funcionários, manutenção, etc... Todavia a conta vale para destacar que em muitíssimos casos como desta escola hipotética, apenas 5 alunos pagam os ordenados de seus professores. 

Veja o leitor que uma fatia considerável das escolas particulares funcionam com mais de 30 alunos por sala e pagam pela hora-aula bem menos dos trinta reais propostos aqui.


Esta relação não deve ser tomada isoladamente para apontar se uma escola é idônea ou não. Contudo, somada a outros aspectos que serão apresentados nos próximos artigos, a relação é um forte indicativo da natureza das motivações das instituições privadas de educação em operação no país.



28.3.13

Carta à Presidenta Dilma e ao Sen. Cristóvam Buarque



Abaixo segue a  carta que foi enviada aos gabinetes da presidência da república, do Senador Cristóvam Buarque e de alguns deputados federais por SP.

Como o formulário da Presidenta só aceita até mil caracteres, as ideias estão super condensadas. Escreverei mais detalhadamente sobre o assunto em breve e postarei aqui as respostas dos gabinetes.

Excelência,

Sou Professor há quase um década. Gostaria de comunicar minhas impressões sobre a Educação Básica no Brasil e propor sugestões.

Penso que o Governo Federal deve ampliar a intervenção na educação básica  através de duas ações:

1- Criar um Exame Nacional Docente para: avaliar anualmente as habilidades e competências dos professores; estabelecer uma nota mínima para o exercício docente; mapear as necessidades de investimentos e intervenção nos cursos de formação de professores nos estados e regiões; classificar professores para recebimento de benefícios federais.

2-Criar um salário federal adicional para professores das redes municipais e estaduais (independentemente do salário já recebido nas respectivas redes de ensino). No entando, esse salário adicional deve ser proporcional ao desempenho do professor no Exame Nacional Docente. Isto estimulará a formação continuada dos professores e a adesão de novos profissionais para a educação Pública.

Grato.
 
Thiago Macedo Vaz