30.8.11

Igor Martins





Guardo boas lembranças da sua hospitalidade meu caro... Saudades!

Seus trabalhos são inspiradores!

Sucesso

http://www.igor-martins.com/

6.8.11

Vulto Austero

Sigo a vida perseguido por um vulto austero. Ela não se cansa do meu encalço.  No silêncio da noite posso escutá-la a folhear meus livros e perambular pelo quarto. Me espreita enquanto minha cama se agiganta e se esfria sob meu dorso.

Quando recebo visitas, fica emburrada e a resmungar pelos cantos da casa. Meneia a cabeça com desaprovação quando falo ao telefone com algum amigo. Essa casmurra agora deu para habitar o meu espelho.
No entanto, ela é a melhor companhia para a leitura. É silenciosa e reverente. É uma excelente parceira para degustar música. Ao seu lado, o jazz e a bossa nova desnudam nuances secretos, contudo pode-se ouvir de tudo sem nenhuma censura.

Em sua presença a oração faz mais sentido. Com ela posso meditar e conhecer a mim mesmo. Ela me enfrenta e me confronta como ninguém mais. Me acusa, oprime e insiste que eu reveja minhas atitudes impensadas e meus paradigmas mais caros. De um jeito doloroso ela me faz melhor a cada dia.

Quando essa austera companheira se aproxima, posso ouvir meus pensamentos ocultos ressoarem em minha alma. Ela me toma pelas mãos e me arrebata para os extremos do tempo e do espaço. Seu olhar frio retarda os ponteiros do relógio e estrangula a cintura da ampulheta.
Esse vulto austero é a companheira dos introspectivos. É indesejada mas necessária. Pelo lado de dentro, ela viu o abrir da madre e testemunhará a sepultura de cada homem ser encerrada. Por mais que se esforçe, corra e se embrenhe entre multidões, cedo ou tarde, cada humano estará diante da Solidão.