21.4.11

PNLEM - Recado Aberto à Presidência, Senado e Câmara




O PNLEM é o programa nacional do livro didático do ensino médio. É um programa do governo federal que visa distribuir para os alunos da rede pública de todos os estados livros didáticos de boa qualidade.

Bom, o recado foi o seguinte:

20 Abril de 2011, 23:43, horário de Brasília

"Sou professor de Física da rede estadual de SP.


Considero que o PNLEM foi a ação mais significativa do governo federal em relação a educação básica no último governo. Contudo, só o livro nas mãos do aluno não representa melhora real do ensino. É necessário que o docente tenha formação sólida e continuada para que o livro seja aproveitado. Gastar recursos com o livro didático e permitir que "profissionais" sem formação adequada assumam turmas é jogar dinheiro no lixo.


A exemplo da OAB e do CREA, penso que deva existir um orgão que regulamente a profissão docente, pois cursos de pedagogia e licenciatura em faculdades particulares de baixíssima qualidade se proliferaram por todo país.


É preciso mudar a política pública para educação. Não há democracia ou justiça social sem educação de qualidade. "

Infelizmente só temos direito a 800 caracteres...

Essa mensagem foi enviada para a presidência, para os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Marta Suplicy (PT-SP), Para a Comissão de Educação e Cultura do Senado (mensagem resumida) e para o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Para mandar seu recado para a Presidência da República, Senado ou Câmara dos deputados, visite:

http://www.presidencia.gov.br/
http://www.senado.gov.br/
http://www2.camara.gov.br/

Eles respondem em poucos dias.
Assim que receber, postarei e comentarei as respostas.

10.4.11

Escola Pública Brasileira

Esta semana eu respondi um pequeno questionário para uma amiga, a Esther, sobre a educação pública no Brasil. Segue um trecho do questionário:

Quais são as suas propostas para melhorar a educação no Brasil?

1- Educação de tempo integral. O estudante deve ter pelo menos 40 horas semanais, preenchidas com os conteúdos escolares tradicionais e atividades culturais extra-curriculares. Além disso, deve haver um período de reforço diário para os estudantes com dificuldades de aprendizagem.

2- Cursos de formação de professores que lhes confira uma formação sólida. Nos últimos anos proliferaram em todo país faculdades particulares de licenciatura e pedagogia de 2 ou 3 anos, com currículos mínimos e sem avaliação concreta e individual no final da formação. Assim como os médicos, engenheiros e advogados precisam fazer exames em suas respectivas ordens para poder exercer a profissão, acredito que os professores deveriam fazer exames periódicos como requisito obrigatório para o trabalho docente.

3- Destinar para a educação a mesma percentagem do PIB que os países desenvolvidos destinam para seus sistemas educacionais.

4- Remunerar dignamente o professor, sobretudo os professores das séries iniciais. O professor precisa ganhar igual a qualquer outro profissional com o mesmo tempo de estudo. Assim, a profissão atrairá pessoas de todos os níveis sociais e culturais.

5- Criar canais educacionais na mídia, sobretudo na TV aberta, integrados com os sistemas educacionais de cada Estado.

Para combater a desigualdade social – o quê o governo federal deve fazer para conseguir uma verdadeira manifestação de melhoras no sistema de educação?

Creio que só haverá justiça social (igualdade social nunca existirá no Brasil, exceto no caso de uma genuína revolução socialista, que provavelmente não ocorrerá nas próximas décadas) quando o governo federal fizer a reforma agrária e estabelecer um sistema educacional de qualidade, a semelhança do ensino superior público, em todos os níveis, desde a pré-escola até o ensino médio. Sem redistribuição de terras e educação de qualidade, o Brasil continuará sendo um país de poucos ricos e muitos miseráveis.

Espaço para aquilo que falta a dizer:

A democracia no Brasil é muito jovem. Passamos por décadas de ditadura militar e as escolas são herdeiras desse regime de silêncio, alienação e subordinação. Quando a juventude brasileira perceber que está sendo privada do direito de pensar e de ser autora da própria cultura e história, com certeza a pressão social será muito grande e as coisas começarão a mudar. Creio que essa percepção virá do trabalho de professores que entendem seu papel transformador na história. O Brasil precisa de professores que tenham discernimento de que tempo vivemos. Acredito que é tempo de despertar culturalmente. É tempo de emancipação.

Acredito que a liberdade e a justiça no Brasil devem nascer dentro da sala de aula. Os governos nunca mudarão nada. A cultura governamental do Brasil é de acomodação. Precisamos de uma revolução na forma de pensar e agir. O jovem precisa pressionar os governantes por mudanças nas políticas públicas, sobretudo nas políticas educacionais, sociais e ambientais.