26.10.11

Iraque: Jamais Esquecerei - Parte 3



Em Março de 2003, EUA e Inglaterra iniciaram a ofensiva contra o Iraque. O Iraque foi enfraquecido por anos através por um bloqueio econômico (semelhante ao imposto à Cuba desde os tempos da Guerra Fria).

Isso denota que essa guerra não deve ser interpretada como uma ação isolada de um presidente maluco. Não tem (somente) a ver com o governo Bush, mas sim com a política de Estado dessas nações: O imperialismo.

O terrorismo é dessa vez a justificativa da política bélica dos EUA. Contudo, se os atentados de 11 de Setembro não tivessem ocorrido, cedo ou tarde o Iraque seria invadido da mesma forma.

Sem o consentimento ou apoio da ONU, a tal "Coalisão" invadiu o Iraque e lá mantem forças militares há 8 anos. A ONU É A MAIOR PIADA DO INÍCIO DO SÉCULO XXI GRAÇAS AOS EUA.

Os Estados Unidos derrubaram o governo Sadam e agora conspiram para a formação de um governo de marionetes. Cabe lembrar que a ditadura que fora derrubada foi apoiada anteriormente pelo governo Americano.

A estabilidade desse novo governo não durará muito tempo. Ao mesmo tempo em que as crianças mutiladas crescerão e repudiarão qualquer forma de submissão ao ocidente, os olhos das marionetes ganharão vida diante das cifras do petróleo, gerando um novo rompimento, que resultará em um novo embargo econômico, novas invasões e mais mutilações e mortes. A ONU será enxovalhada novamente e a roda do imperialismo continuará a girar até que mudanças profundas aconteçam!

22.10.11

Iraque: Jamais Esquecerei - Parte 2

Numa entrevista dada a emissora RLT em 30 de Julho de 2005, o ex-presidente dos EUA George W. Bush declarou:

"Acho que o Iraque está em melhor situação do que estava com Saddam Hussein". G.W.Bush

Está declaração foi dada pelo ex-presidente quando foi indagado sobre as tais armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.

Não quero nesta postagem fazer um balanço sobre a situação do povo iraquiano após a queda de Sadam Hussein. Contudo, quero ressaltar que a história recente dos países árabes mostrou que a intervenção ocidental não é a melhor maneira de derrubar uma ditadura.

Se, ao invés de invadir militarmente o Iraque, os EUA tivessem suspendido o embargo econômico e feito uma invasão humanitária, com hospitais, creches, escolas, profissionais de saúde e educação, orfanatos, asilos, etc..., provavelmente o próprio povo iraquiano floreceria com Primavera Árabe e derrubaria o ditador.

É claro que isso não aconteceu. E por quê? Seria possível controlar o petróleo e transformar o país em mais uma base militar se Sadam Hussein fosse deposto pelo próprio povo?

Iraque "está melhor" para quem?

Quando esse senhor será julgado?

Iraque: Jamais Esquecerei - Parte 1

Para refrescar a memória:

Os EUA imporam um embargo econômico ao Iraque que perdurou anos, levando o país cada vez mais à miséria.


Após os atentados de 11 de Setembro em 2001 os EUA invadiram o Afeganistão e pouco depois o Iraque. A invasão do Afeganistão foi baseada na hipótese de que Osama Bin Laden estivesse escondido no país. Mas o Iraque foi invadido por qual razão mesmo? O que tem a ver o Iraque com o 11 de Setembro?

O Sr. Bush alardeou que o Iraque possuia armas de destruição em massa e que o ditador Sadam Hussein representava uma ameaça a segurança dos EUA(?).

O fato é que as tais armas de destruição em massa nunca apareceram, e os EUA, desde o princípio da invasão, exploram intensivamente o petróleo iraquiano.

Por conta disso, aproveitando que a mídia volta suas lentes para o mundo árabe, nos próximo 30 dias postarei fotos de crianças iraquianas afetadas de alguma forma pela guerra.

30.8.11

Igor Martins





Guardo boas lembranças da sua hospitalidade meu caro... Saudades!

Seus trabalhos são inspiradores!

Sucesso

http://www.igor-martins.com/

6.8.11

Vulto Austero

Sigo a vida perseguido por um vulto austero. Ela não se cansa do meu encalço.  No silêncio da noite posso escutá-la a folhear meus livros e perambular pelo quarto. Me espreita enquanto minha cama se agiganta e se esfria sob meu dorso.

Quando recebo visitas, fica emburrada e a resmungar pelos cantos da casa. Meneia a cabeça com desaprovação quando falo ao telefone com algum amigo. Essa casmurra agora deu para habitar o meu espelho.
No entanto, ela é a melhor companhia para a leitura. É silenciosa e reverente. É uma excelente parceira para degustar música. Ao seu lado, o jazz e a bossa nova desnudam nuances secretos, contudo pode-se ouvir de tudo sem nenhuma censura.

Em sua presença a oração faz mais sentido. Com ela posso meditar e conhecer a mim mesmo. Ela me enfrenta e me confronta como ninguém mais. Me acusa, oprime e insiste que eu reveja minhas atitudes impensadas e meus paradigmas mais caros. De um jeito doloroso ela me faz melhor a cada dia.

Quando essa austera companheira se aproxima, posso ouvir meus pensamentos ocultos ressoarem em minha alma. Ela me toma pelas mãos e me arrebata para os extremos do tempo e do espaço. Seu olhar frio retarda os ponteiros do relógio e estrangula a cintura da ampulheta.
Esse vulto austero é a companheira dos introspectivos. É indesejada mas necessária. Pelo lado de dentro, ela viu o abrir da madre e testemunhará a sepultura de cada homem ser encerrada. Por mais que se esforçe, corra e se embrenhe entre multidões, cedo ou tarde, cada humano estará diante da Solidão.

18.6.11

Sabia Que Você Era Professor!

Na última quarta-feira, dia 15 de Junho de 2011, atendi uma aluna particular que ajudo com aulas de Física há alguns anos. Já estava escuro quando a aula acabou. No elevador a cabeça foi arrebatada pelo cronograma da semana.

Caminhava com passos largos por entre os prédios do condomínio quando me deparei com quatro garotinhas trepadas numa mureta, empolgadas e entretidas com algo no céu. Elas deviam ter no máximo nove anos.

Sem olhar diretamente para elas ou para o céu, e sem esperar resposta alguma eu disse:

-Boa noite garotas.

-"Boa noite", responderam elas quase que em coro.

Imediatamente após o cumprimento uma delas falou:
 -Moço, olha o eclipse!

O João, um amigo da faculdade me enviou torpedos com avisos sobre o fenômeno, mas esqueci completamente no decorrer do dia.

Parei, me recostei na mureta ao lado das baixinhas e fiquei alguns minutos a olhar a Lua ocultando-se lentamente na escuridão. Pensei sobre o fenômeno em si, mas também pensei na minha vida, no tempo, nas minhas escolhas e preocupações. Perguntei-me quantos eclipses presenciaria ainda.

-Meninas, quem está na frente de quem?

Uma delas respondeu sem tirar os olhos dos céu: -A lua está na frente do Sol!

-"Desde quando o Sol aparece de noite mocinha?"

-Ah, mas hoje é eclipse né tio?!

Uma delas arriscou: -É a Lua que ta ficando preta!

A maiorzinha delas, insatisfeita com a resposta da amiga, colocando a longa franja atrás da orelha, perguntou: "O que está acontecendo com a Lua?"

-"É a sombra da Terra sobre a Lua. O Sol está lá atrás, e nós estamos entre ele e a Lua." Expliquei ajeitando os óculos sobre o nariz e com gestos exagerados como sempre faço na sala de aula.

-Hum... Entendi... Você é professor né?

-"Sim", respondi sorrindo.

-Eu sabia que você era professor! De ciências né?!


Balancei a cabeça afirmativamente e me despedi com um aceno de mão. Esses minutos com aquelas crianças foram com certeza os momentos mais tranquilos e serenos de 2011. Foram minutos de criança.

Ser professor tem mais a ver com o diálogo que se faz com a vida do que com registros em carteira de trabalho ou diplomas universitários. É ver o mundo pelos olhos das crianças, e aprender com elas, que são a motivação e o sentido de qualquer aprendizado. Preciso aprender a ser professor!

21.4.11

PNLEM - Recado Aberto à Presidência, Senado e Câmara




O PNLEM é o programa nacional do livro didático do ensino médio. É um programa do governo federal que visa distribuir para os alunos da rede pública de todos os estados livros didáticos de boa qualidade.

Bom, o recado foi o seguinte:

20 Abril de 2011, 23:43, horário de Brasília

"Sou professor de Física da rede estadual de SP.


Considero que o PNLEM foi a ação mais significativa do governo federal em relação a educação básica no último governo. Contudo, só o livro nas mãos do aluno não representa melhora real do ensino. É necessário que o docente tenha formação sólida e continuada para que o livro seja aproveitado. Gastar recursos com o livro didático e permitir que "profissionais" sem formação adequada assumam turmas é jogar dinheiro no lixo.


A exemplo da OAB e do CREA, penso que deva existir um orgão que regulamente a profissão docente, pois cursos de pedagogia e licenciatura em faculdades particulares de baixíssima qualidade se proliferaram por todo país.


É preciso mudar a política pública para educação. Não há democracia ou justiça social sem educação de qualidade. "

Infelizmente só temos direito a 800 caracteres...

Essa mensagem foi enviada para a presidência, para os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Marta Suplicy (PT-SP), Para a Comissão de Educação e Cultura do Senado (mensagem resumida) e para o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Para mandar seu recado para a Presidência da República, Senado ou Câmara dos deputados, visite:

http://www.presidencia.gov.br/
http://www.senado.gov.br/
http://www2.camara.gov.br/

Eles respondem em poucos dias.
Assim que receber, postarei e comentarei as respostas.

10.4.11

Escola Pública Brasileira

Esta semana eu respondi um pequeno questionário para uma amiga, a Esther, sobre a educação pública no Brasil. Segue um trecho do questionário:

Quais são as suas propostas para melhorar a educação no Brasil?

1- Educação de tempo integral. O estudante deve ter pelo menos 40 horas semanais, preenchidas com os conteúdos escolares tradicionais e atividades culturais extra-curriculares. Além disso, deve haver um período de reforço diário para os estudantes com dificuldades de aprendizagem.

2- Cursos de formação de professores que lhes confira uma formação sólida. Nos últimos anos proliferaram em todo país faculdades particulares de licenciatura e pedagogia de 2 ou 3 anos, com currículos mínimos e sem avaliação concreta e individual no final da formação. Assim como os médicos, engenheiros e advogados precisam fazer exames em suas respectivas ordens para poder exercer a profissão, acredito que os professores deveriam fazer exames periódicos como requisito obrigatório para o trabalho docente.

3- Destinar para a educação a mesma percentagem do PIB que os países desenvolvidos destinam para seus sistemas educacionais.

4- Remunerar dignamente o professor, sobretudo os professores das séries iniciais. O professor precisa ganhar igual a qualquer outro profissional com o mesmo tempo de estudo. Assim, a profissão atrairá pessoas de todos os níveis sociais e culturais.

5- Criar canais educacionais na mídia, sobretudo na TV aberta, integrados com os sistemas educacionais de cada Estado.

Para combater a desigualdade social – o quê o governo federal deve fazer para conseguir uma verdadeira manifestação de melhoras no sistema de educação?

Creio que só haverá justiça social (igualdade social nunca existirá no Brasil, exceto no caso de uma genuína revolução socialista, que provavelmente não ocorrerá nas próximas décadas) quando o governo federal fizer a reforma agrária e estabelecer um sistema educacional de qualidade, a semelhança do ensino superior público, em todos os níveis, desde a pré-escola até o ensino médio. Sem redistribuição de terras e educação de qualidade, o Brasil continuará sendo um país de poucos ricos e muitos miseráveis.

Espaço para aquilo que falta a dizer:

A democracia no Brasil é muito jovem. Passamos por décadas de ditadura militar e as escolas são herdeiras desse regime de silêncio, alienação e subordinação. Quando a juventude brasileira perceber que está sendo privada do direito de pensar e de ser autora da própria cultura e história, com certeza a pressão social será muito grande e as coisas começarão a mudar. Creio que essa percepção virá do trabalho de professores que entendem seu papel transformador na história. O Brasil precisa de professores que tenham discernimento de que tempo vivemos. Acredito que é tempo de despertar culturalmente. É tempo de emancipação.

Acredito que a liberdade e a justiça no Brasil devem nascer dentro da sala de aula. Os governos nunca mudarão nada. A cultura governamental do Brasil é de acomodação. Precisamos de uma revolução na forma de pensar e agir. O jovem precisa pressionar os governantes por mudanças nas políticas públicas, sobretudo nas políticas educacionais, sociais e ambientais.