10.12.10

Igreja, Política e Manipulação



Após as eleições presidenciais de 2010, sobretudo depois do segundo turno, os ambientes evangélicos, assim como os católicos, tornaram-se ainda mais inóspitos aos homossexuais.
Alguns amigos muito queridos, manipulados por lideranças cristãs, encaminharam-me e-mails que convocavam os cristãos para uma cruzada contra o aborto e a união civil homossexual, personificados na pessoa da candidata indicada pelo Governo Federal, ao mesmo tempo, lideranças evangélicas e católicas deram as caras no programa eleitoral gratuito da oposição. É intrigante como esses e-mails só aparecem nas vésperas de eleições.

Se o termo “cristão” já era sinônimo de intolerância, alienação e radicalismo, depois das eleições essa imagem se fortaleceu ainda mais.

Para mim é vergonhoso estar inserido nesse contexto político-religioso. De forma alguma me envergonho do Cristo ou de seu evangelho. O que considero vexatório e asqueroso é a manipulação religiosa, com fins políticos e que promove o ódio aos homossexuais.

É bom lembrar que as mesmas lideranças cristãs que hoje apoiam determinado candidato em nome da não legalização do casamento gay, é a mesma liderança que se calou diante das atrocidades cometidas pela ditadura instituída pelo golpe de 1964.

Além de não denunciar as torturas e assassinatos cometidos pelos militares, os evangélicos apoiaram e receberam apoio do governo que “salvou” o país do comunismo. Enquanto Fidel Castro, que executou muitos em praça pública era denominado pelos crentes de "enviado do Diabo", os ditadores brasileiros, que mataram tanto quanto, eram vistos pelos evangélicos como os enviados de Deus que mereciam respeito, honra e obediência.

Atualmente, enquanto as igrejas evangélica e católica se posicionam politicamente, a quantidade de homossexuais dentro da igreja aumenta exponencialmente, e os gays que já saíram da igreja sentem cada vez mais aversão ao cristianismo.

Em contraposição, o Cristo descrito nos evangelhos atraía os moralmente excluídos do sistema religioso de sua época. As mesmas meretrizes, leprosos, samaritanos e cobradores de impostos que evitavam os carolas mais ortodoxos, sentiam-se a vontade na companhia de Jesus.

A missão da igreja é transformar a sociedade. Entretanto, não concordo com a imposição da religião, seja pela violência ou pela força da lei. Toda transformação que não nasce do amor não é digna do Cristo.

1.11.10

Sete Passos Para Criar Sete Passos de Sucesso

1- Escolha um bom tema.
Em primeiro lugar, para criar sete passos que inspire as pessoas, confira a você notoriedade, influência (poder) e, acima de tudo, muito dinheiro, você deve escolher um tema que seja do interesse do maior público possível.

Sexo, relacionamento, finanças e liderança estão entre os temas que mais vendem livros, seminários e treinamentos. Caso escolha um desses temas, certamente alcançará seus objetivos em pouquíssimo tempo.

Caso seja orador ou escritor religioso, estes sete passos funcionarão da mesma forma, proporcionando os mesmo resultados, independentemente da religião ou filosofia.

2- Oculte as possibilidades de fracasso.

Em segundo lugar, é preciso ter em mente que as pessoas sempre buscam receitas infalíveis. Ninguém gosta de gente cautelosa e precavida. O povo admira os atirados e ousados.

Por isso, se seus sete passos conterem expressões como “caso fracasse na primeira tentativa...” ou “se isso não der certo tente...”, é muito provável que os consumidores desistam no meio do caminho, e por consequência, não divulguem suas idéias. Não cometa esse erro e certamente você obterá o sucesso que tanto merece.

3- Abuse dos/nos depoimentos.

Os depoimentos são indispensáveis. Quanto mais histórias de sucesso você inserir nos seus sete passos, maior será o seu lucro e mais pessoas estarão submissas a você. Contudo, sugiro que evite depoimentos de pequeno porte. É preciso impressionar e emocionar.

Inicialmente, pinte cenários extremamente caóticos, personagens angustiadas e imersas em situações insolúveis. Posteriormente retrate a fabulosa virada de mesa que as personagens vivenciaram após cumprirem um dos seus sete passos.

Portanto, aumente os números. Exagere nos adjetivos. Não economize superlativos. Invente casos que supostamente aconteceram nos EUA. Brasileiro adora fábulas norte-americanas. Minta com firmeza, poesia e criatividade.

4- Oculte as fontes.

Os privilegiados que se aventurarem em seus sete passos precisam ter a sensação que se deparam com verdades ocultas desde o princípio das eras, e que finalmente foram reveladas por seu intermédio. Portanto, pesquise bastante, leia muitos livros, dê uma cara nova, pegue dois passos de um livro, três de outro, altere a ordem, junte tudo e não cite ninguém. Já dizia o milenar provérbio hindu: “criatividade é a habilidade de esconder as fontes”.

5- Massageie o ego.

Tenha em mente que seu maior objetivo é vender seus sete passos para cada um dos seis bilhões de consumidores em todo mundo, gastando o mínimo possível com propaganda. Para isso, basta que seus consumidores sintam-se especiais e verdadeiros prodígios ao experimentarem seu super pacote de revolução existencial.

Para isso, elogie, bajule e puxe o saco até não poder mais. Eles precisam acreditar que suas características são dádivas celestiais que os destacam no universo. A cada novo passo, parabenize seu leitor por deixar para trás multidões de desafortunados que fatalmente serão seus subordinados e admiradores.

6- Crie inimigos.

Pessoas tão especiais como os seus consumidores ainda não chegaram no topo por dois motivos:

-Primeiro porque não conheciam os seus sete passos.

-Segundo porque seus inimigos fizeram de tudo para atrasar e atrapalhar a escalada rumo ao cume do sucesso.

Todo ser humano precisa de um demônio para odiar, lutar e responsabilizar por todos os seus fracassos. Se seus pupilos acreditarem que são alvos de conspirações, rapidamente se entregarão sem reservas a você. Eles suspenderão o senso crítico e reconstruirão mentalmente suas histórias, colocando-se sempre como vítimas em todos os episódios de suas vidas.

7- Seja simplista.

Seja ao mesmo tempo místico e mecanicista. Seus consumidores precisam acreditar que o universo é um ser altruísta, justo e bom. Eles precisam acreditar que para cada ação, inevitavelmente o universo reagirá em suas direções recompensando os frutos de sua sabedoria.

Tudo tem que ser simples, fácil, claro e rápido. Não importa se a coisa é lógica ou não. As pessoas precisam acreditar que as coisas vão melhorar e que seus sonhos finalmente virarão realidade. Portanto, elas não se importarão com a coerência de suas idéias. Diga o que elas querem ouvir. Seja positivo e otimista sempre. Diga o que as pessoas devem fazer, pensar e esperar, e elas farão tudo o que você sugerir, desde que seja muito resumido e extremamente raso.

Carta Aberta a Kukis e Dédis


Quando penso em vocês, imagino como deve ser maravilhoso nascer ao lado do seu melhor amigo. Também imagino como deve ser difícil conviver com a ideia de que existe uma pessoa praticamente idêntica a si.

Contudo, ainda que seus genomas fossem plenamente idênticos (neste caso seus pais e algum geneticista estariam encrencados), ainda assim vocês seriam pessoas únicas. Percebam que nosso ser é composto por muito mais elementos que prescrevem nosso DNA.

Somos feitos de valores, de nossas histórias de vida, personalidades, pelas lentes com as quais enxergamos o mundo e principalmente pelas nossas emoções, sonhos, sentimentos e anseios.

Meninas, por falar em anseios, fiquem tranqüilas quanto à escolha da profissão. Vocês têm muito tempo até tomarem essa decisões.

Tenham em mente que remuneração não é o principal fator a ser levado em conta. Pense primeiramente no que vocês querem construir ao longo dos próximos 40 anos. Antes de escolher qual profissão seguir, é preciso definir se querem interagir com pessoas ou máquinas, lidar com o desconhecido ou com o óbvio, vivenciar rotinas engessadas ou reinventar uma nova rotina a cada dia, contribuir para a criação de uma sociedade que faz sentido para vocês ou simplesmente enriquecer seus chefes e empresas.

E o dinheiro? Posso garantir que se tiverem formação sólida e continuada, e se investirem dedicação, tempo e amor no que fizerem, não importa o ramo que escolherem, vocês viverão com tranquilidade. É fato que determinadas profissões tem menos status social que outras. Contudo, penso que o importante é estar em paz com a sua própria história e consciência.

De resto, sou grato a Deus por ter conhecido vocês. Minhas tardes de quarta-feira são sempre muito engraçadas e emocionantes. Quando vejo vocês ansiosas, temerosas e brincalhonas, logo me recordo do Thiago adolescente, de cara pelada, sempre apaixonado, com problemas de concentração, mudando de profissão a cada a quinze dias e sonhando com um futuro tão indefinido e repleto de fantasmas. Desde a nossa primeira aula eu tenho feito um balanço existencial, pensado na vida e relembrando quem realmente sou e porque estou aqui. Você me fizeram muito bem. Obrigado.

Não preciso desejar sucesso para vocês porque ele é mais do que certo. Desejo apenas que vocês saibam lidar com o sucesso que virá, que descubram quem vocês são e o sejam de propósito!

Beijos e até Quarta!

Thiago M.Vaz

25.7.10

Onde Comprar?




Hoje pela manhã levei meu pai ao mercado onde fazemos compras costumeiramente. Como não gosto de fazer compras, esperei no estacionamento.

De início, incomodou-me a presença de um casal entre a saída do mercado e a entrada do estacionamento. O moço aparentava ter a minha idade, moreno forte, com uma calça de metalúrgico enrolada até o meio das canelas, muito suja e rasgada, com um tênis surrado e com a camiseta jogada nos ombros. A moça parece ter no máximo 21 anos, esbelta, de pele branca e cabelos enroladinhos e claros. Suas roupas eram tão sujas quanto a de seu companheiro.

Observei com atenção meu pai passar ao lado desses prováveis andarilhos. Enquanto ele passava despreocupado, reparei que o rapaz sacou algo de dentro de uma sacola que não consegui identificar de primeira. Virei para pegar os óculos enquanto meu pai sumia na esquina do prédio. Olhei novamente e pude ver um pão francês sendo partido ao meio e devorado a seco pelo casal.

Liguei o rádio e abri um livro numa tentativa vã de mudar os rumos do pensamento, mas aqueles dois não me saíam da cabeça. Estavam bem ali a minha direita, recostados na banca de jornal. Conversaram por alguns minutos sem desconectar seus olhares um do outro. Do que estariam falando? Seus rostos não expressavam preocupação. Ao contrário, eles pareciam empolgados e felizes. De repente, ela saltou no pescoço dele num abraço de dar inveja.

Poucos minutos depois meu pai aparece com o carrinho na esquina do prédio, resvala nos amantes e segue em direção ao carro. Colocamos as compras no banco de trás e num breve silêncio seguimos para casa.

-Você reparou no casal no estacionamento?
-Sim. Fiquei com medo deles te roubarem.
-Eles estavam dividindo uma lata de sardinha. Deu vontade de voltar e compra algo para eles.
-Fiquei pensando que o amor deles é deveras sem interesses. Eles só tem um ao outro. Eles tem a minha idade...

Passei o restante do dia pensando nos dois. Ainda não sei o que me tocou nesse episódio, se foi a pobreza dos dois; ou se apesar da pobreza ainda tinham carinho e respeito um pelo outro; ou se foi simplesmente o fato de duas pessoas se amarem. Penso que a última hipótese é por si só intrigante e digna de muita reflexão e algumas canções.

28.3.10

Butterfly

Essa é sem dúvida a arte da Camis que eu mais gosto!



Valeu Camis... Cuida bem do meu amigo!

12.2.10

Espelhos



Engasgado, bate o sinal para a quarta aula. Sem demora, o Professor Jean entra na sala com seus passos largos e apressados. Inteligentíssimo, mas pouco interessante. Tem a particularidade de não olhar nos olhos de ninguém. Começa mais uma sonífera aula de história no 2º Exatas B.

A sala, com suas fileiras tortuosas e seu mural rasgado, parece receber Jean com frigidez e descaso. Até os alunos novos já perceberam, em plena segunda semana de aula, a desconexão dessa figura mórbida.

Em ambos extremos da sala estão os novatos. As moças são hostilizadas pelas veteranas que as julgaram um tanto esnobes. Os rapazes parecem observar, inertes, a beleza tanto das novatas quanto das alunas antigas.

Entre as veteranas, Diana destaca-se por suas boas notas e pela personalidade forte. Estranhamente, senta-se há três anos na mesma carteira, na fileira central, próximo ao fundo da sala. Na mesa estão gravados os nomes de algumas bandas antigas, times de futebol, suásticas e alguns pervertidos esboços de corpo de mulher.
Ao perceber a presença de Jean, Diana dá uma última olhada em seu espelho e o guarda. Entediada, abre o caderno. Este espelho é uma recordação de sua falecida mãe. É no formato de ostra, prateado, com folhas de figueira gravadas em baixo relevo. Em uma das bandas há um espelho arranhado e na outra uma fotografia de sua mãe nos tempos de solteira.

Diana até tenta manter sua atenção em Jean, mas a cena que ocorre bem a sua frente é imperdível. Ivete entrega a Luciano um pequeno bilhete no verso de um recado da coordenação. Luciano pega o bilhete com ares de desconfiança enquanto Ivete, dissimuladamente, olha para a lousa.
Seus pensamentos jorram com tanta violência que seus lábio pulsam enquanto seus olhos apertados parecem sumir no rosto.

Que cachorra vagabunda! O ano nem começou e a piranhuda já está atirando para todos os lados. Quem ela pensa que é com esse decote no uniforme? Alguém precisa avisá-la que meia se usa nos pés e não no sutiã! Cada foto no Facebook que a Play Boy mandou lembrança. Vai entender... Bom, sei lá, cada um é cada um.

E o Luciano, esse babaca, se abre como uma mala velha?! Vai entender esses meninos! Ele é o rapaz mais maduro da sala e ainda assim encanta-se com os flertes da Ivete! Ele é tão crítico! Duvida de tudo e sempre questiona os professores. Coitado, os meninos zoam ele o tempo todo por não se ajuntar ao bando de vira-latas do colégio atrás das cadelinhas no cio. Mas ele está nitidamente balançado! Uma hora dessas ele cede; a pressão é muito grande!

Nunca vou esquecer aquele nosso beijo na volta da viagem de formatura. Enquanto todos dormiam, nós falávamos cada vez mais baixinho. A luz da estrada revelava seu piscar cada vez mais duradouro e com intervalos cada vez menores. Como ele é tímido. Tomei a iniciativa e não me arrependo. Reclinei a cabeça no ombro dele e ele aceitou.
De repente beijei o bobão! O único menino da escola que beijei. Foi tão bonito. No outro dia o safado fingiu que nada havia acontecido. Ele não contou para ninguém. Eu também não.

Não acredito, ele está respondendo o bilhete! Olha só a cara de satisfação dessa vadia. Mas talvez ela esteja certa. Os meninos são doidos com ela. Já eu, só atraio os meninos quando eles querem copiar a lição de casa. Talvez eu devesse andar mais com a Ivete, dar uma mudada no visual e ir à caça. Que mal tem? Eu até pareço uma freira. Nossa, preciso de um pouco de ar. De tanto calor já estou pensando bobagens.


- Professor, posso ir ao banheiro?
-Claro.

O banheiro estava escuro, mas Diana parecia não se incomodar. O espelho manchado e cobertos de pingos de ferrugem faz o banheiro parecer muito maior. A torneira por muito pouco não avança além da pia rasa e curta. Diana tenta inutilmente não molhar a roupa nos respingos da pia. Apara a água com as mãos, inclina-se e afunda o rosto sem maquiagem como quem quer afogar o espírito. Depois de alguns segundos ergue-se; ainda com os olhos fechados respira profundamente.

Ao abrir os olhos, Diana fica estática com o que vê no espelho. Ela vê-se vigorosamente bela e reluzente. Nunca havia reparado como seu rosto lembra o de sua mãe. Por um instante, Diana não sabia se a imagem no espelho era a de sua mãe ou seu próprio reflexo. Suas mãos trêmulas são atraídas lentamente para tocar aquele anjo doce que parecia desprender-se da parede e ir ao seu encontro.
As lembranças de sua mãe materializaram-se naquele momento. Seus dedos encostaram-se por um segundo no espelho. A força, a coragem, o carinho, tranquilidade e determinação de sua querida mãe abraçam-na num toque inexplicável. De repente a luz do banheiro acende-se.
- Diana, por que você está demorando tanto?
- Já estou indo inspetora.

Ao olhar para o espelho novamente, Diana vê seu rosto cotidiano. Mas algo está diferente. Ela está linda. Seu tronco está mais ereto e os ombros aprumados. Carrega confiança no olhar e em seus lábios um intrigante sorriso.

- Tudo bem Di?
- Muito bem Luciano, muito bem! Eu perdi alguma coisa?
- Não sei. Não estava prestando atenção. Aliás, você está linda hoje.
- Obrigada Lu.

Pêêêêêmmm. Engasgado, bate o sinal para quinta aula.

26.1.10

Meus 26 Anos


23 de Janeiro de 2010.

Nunca dei muita bola para os meus aniversários. Não via muito sentido em festas e presentes.

Contudo, o cumprimento dos meus 26 anos foi muito diferente. Minha namorada e minha mãe estariam viajando e meu pai estaria no trabalho. Assim combinei com alguns amigos um encontro no Açaí do Taboão as 18:00h.

Chovia muito quando acordei e logo me dei conta de que estava sozinho em casa. O tempo não passava e a cada telefonema meu coração saltava de alegria.

Passei a manhã lendo meus poemas favoritos ao som das canções prediletas. Entre um verso e outro relembrava episódios marcantes da minha história.

Gradualmente foi crescendo um sentimento muito agradável de gratidão. Deitado em minha cama, senti lágrimas quentes rolarem pelo rosto enquanto agradecia a Deus pela minha família, amigos, pela minha namorada (que me emocionou com as flores que mandara entregar naquela manhã), por meus alunos e pela dádiva de ter uma vida normal após meu acidente de carro, do qual escapei milagrosamente de uma morte eminente em 11 outubro de 2008.

Revivi num relance aqueles longos segundos em que meu carro trepidava violentamente entre os asfalto e o para-choque da carreta. Respirei profundamente e levantei-me para atender o telefone.

Minha Nona, uma antiga amiga da família que me tratou a vida inteira como um neto, telefonou para avisar que tinha um bolo a minha espera em sua casa.

Chegando lá, ela, o Nono, seu filho, nora e neta cantaram o “parabéns pra você” mais tocante de toda minha vida. Fui tocado pelo carinho deles e com certeza nunca esquecerei aquela tarde.

Mais tarde no Açaí fui surpreendido pela presença dos formandos de 2008. Uma turma que tirou o sossego dos inspetores, diretores e principalmente dos professores do Alvorada por quatro anos. Eles foram minha primeira turma (2005) e nesses anos partilhamos momentos inesquecíveis. Meu caráter formou-se ao lado dessa turma que é a mais unida e inconformada com a rotina escolar que já vi. Além deles, compareceram grandes amigos como o Luciano, o Jorge, os Laureno, a Tuca, o Cainho entre muitos outros.

Aprendi nesse último 23 de Janeiro que cada aniversário é um ótimo pretexto para fazer o que deveríamos fazer todos os dias do ano: Passar um tempo a sós sem deixar de festejar a vida com aqueles que amamos e nos amam; Repensar a vida sem deixar de viver intensamente a mesma; Chorar e sorrir; Sentir saudades e gratidão; Ler poesia, ouvir música, sonhar acordado e principalmente dar muitos abraços.