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Estações da Alma-Proximidade e Inclinação


Muitas pessoas relacionam a existência de estações do ano com a excentricidade da órbita da Terra. De fato é conhecido há mais de 4 séculos que a Terra mantém diferentes distâncias do Sol em distintas épocas do ano. A distância máxima (afélio) e mínima (periélio), ocorrem respectivamente em 4 de Julho e 4 de Janeiro de cada ano. Contudo, essa diferença de 5 milhões de kilômetros não é a principal responsável pelo fenômeno das estações do ano.

A ideia de que quando a Terra está mais próxima do Sol é Verão e quando a mesma está mais longe é Inverno é falsa. Esse raciocínio não contempla o fato de que há verão e inverno simultâneamente no planeta. Quando é verão no Hemisfério Norte, é inverno no Hemisfério Sul e vice-versa.


É inegável que no afélio a Terra recebe 7% a menos de radiação solar em relação ao periélio. Mas as mudanças drástica no clima terrestre, com alternância de estações, não está diretamente ligada com essa diferença de irradiação. Na verdade o que provoca as estações do ano é a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol.


Graças a essa inclinação de 23,5°, determinado hemisfério recebe muito mais radiação que o outro, ocorrendo após seis meses uma inversão desse quadro.

HEMISFÉRIO NORTE

* dia 21 de Dezembro - Início do Inverno

* dia 21 de Março - Início da Primavera

* dia 21 de Junho - Início do Verão

* dia 23 de Setembro - Início do Outono

HEMISFÉRIO SUL

* dia 21 de Dezembro - Início do Verão

* dia 21 de Março - Início do Outono

* dia 21 de Junho - Início do Inverno

* dia 23 de Setembro - Início da Primavera


O senso comum atribui à proximidade a responsabilidade pelas transformações. Esse senso é um equívoco e extrapola para além da ciência. Valoriza-se mais a proximidade do que a inclinação.

As universidades são repositórios inigualáveis de livros e teses. As mentes mais produtivas pesquisam e lecionam nessas ilhas de conhecimento. Entretanto, muitos universitários têm dificuldades de lidar com as emoções, enfrentam problemas nos relacionamentos familiares, drogas e violência.

O fato de os universitários e graduados estarem imersos em cultura e conhecimento não implica necessariamente que sejam pessoas sábias. Nos últimos anos o Brasil viu gente estudada matar os pais para ficar com a herança e homicídios no Campus Universitário.

Contudo, não raro encontro sabedoria nos lábios de gente simples que se assenta comigo no ônibus. Muitas dessas pessoas (que passam despercebidas por olhos apressados) não concluíram os estudos, mas atentaram às palavras de seus pais e avós. Muitos destes são carinhosos com os pais e atenciosos com os filhos. Eles choram ao ver o brilho dos olhos de seus pequenos ao desembrulharem os presentes de natal. Eles ficam emocionados ao receber o convite para apadrinhar um casamento ou batizado.

Existe gente simples que nunca ouviu falar de Adam Smith, mas gerencia suas casas e pequenos negócios com maestria. Eles não sabem o que foi a Revolução Verde, mas depositam suas sementes com delicadeza e esperança. Não estudaram Vygotsky ou Piaget, porém, livraram seus filhos das drogas com a pedagogia do amor e do respeito.

Esses anônimos estão espalhados pelo mundo. Brotaram longe do conhecimento, mas inclinados à sabedoria que vem da vida.

Da mesma forma, os templos religiosos estão abarrotados de carolas e beatos. Os seminários viraram fábricas de sacerdotes para atenderem a demanda. Os livros místicos ganham cada vez mais estantes nas livrarias laicas. A religião volta ao painel de controle medieval dos meios de comunicação e da política.

Entretanto, a prática religiosa não conseguiu aproximar as pessoas.

O monasticismo aliena os internos dos externos. Os eleitos se conformam com a miséria dos amaldiçoados. Os de raça sobem os muros da nação. Os fanáticos matam para entrar na vida. Os de casta humilham os desvalidos. Os rigorosos zelam mais da tradição do que da própria alma. Os disciplinados esvaziam a mente para angariar mais lugar para o nada. Os "cavalos" anseiam por vingança. Os santos escancaram as portas do inferno.

Todavia, muitos "impuros" e "infiéis" se solidarizam com a desgraça alheia. Muitos desgarrados não tem força para julgar.

O que falar da fé dos encarcerados? Estão tão longe dos sistemas religiosos (obviamente pelo fato de não terem dinheiro e não por estarem presos) mas entornam lágrimas febris quando os violões dos visitantes os alcançam com hinos de arrependimento e perdão. E o que dizer da fé dos hospitalizados? Esquecidos pelos deuses dos clérigos, apertam os punhos e marejam os olhos em preces silenciosas.

Muitos pequeninos estão inclinados para o Divino. Estão longe, tateando como cegos a procura de sentido e existência. Felizmente, nessa tentativa, tocam as faces um dos outros. Neste toque doce e gentil, ambos pensam acariciar o rosto do Deus invisível. Quem sabe eles O encontraram de fato?