28.6.09

Lições Novas


Estou apaixonado. Há muito tempo não me sentia tão inspirado. Há cerca de 50 dias abandonei um dos meus dois empregos para dedicar mais tempo a graduação. Neste meio tempo sentei-me para estudar com gente atrasada no curso (estudantes de física da USP), de notas baixas e defasagem aguda. Gente como eu.

Contudo, essas pessoas me inspiraram profundamente. Existe cumplicidade e compromisso entre eles ("nós", agora). Fiquei chocado ao ver o esforço e disciplina de meia dúzia de desesperados. Não há competição ou vanglória. O respeito é aterrador. Eu pude ouvir pessoalmente muitos "não desista", "parabéns", "força"... Entretanto, o que mais me chocou foi a velocidade da minha inclusão entre eles. Rapidamente trocamos celulares e e-mail, marcamos e cumprimos dezenas de encontros para estudos, caronas, pagamos xérox e lanches uns para os outros, emprestamos material escolar, etc... A solução de um exercício é comemorada por todos como fogos de artifício!

É impressionante como a dificuldade aproxima as pessoas! Agora entendo como pessoas puderam dividir seu escasso alimento com totais desconhecidos em tempos de fome, ou como famílias alemãs colocaram-se em risco de morte ao esconderem judeus em suas casas durante anos.

Passei muito tempo idealizando os grande gênios da Física. Li muitas biografias de pessoas como de Stephen Hawking e Carl Sagan (adoro o último). Mas, agora é a vida dos fracos e defasados que me incentiva a continuar. É o empenho de gente que reprovou a mesma disciplina várias vezes que me instiga a dar o meu melhor. É a humildade dos atrasados que me faz gritar para todo mundo ouvir que eu ainda não sei quase tudo.

Em cinco anos de graduação eu jamais havia estudado tanto! Foram finais de semana inteiros dedicados ao estudo em grupo! E não foi nenhum aluno prodígio que me ajudou, mas foram meus novos amigos, a maioria em situação acadêmica muito mais grave do que a minha, que me deram um novo fôlego para terminar esse curso, agora muito mais interessante.

Quero a simplicidade dos "abaixo da média" e a humildade dos que desconhecem o dez. Chega de gente ensimesmada. Estou farto de narcisismo acadêmico. Quero me sentar ao lado dos que, após inúmeros fracassos, ousaram continuar.