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Carta Aberta à Jorge Daniel


Caro Hermano, depois de alguns anos de amizade sincera, companheirismo e parceria em muitos sonhos, quero te agradecer publicamente pelo apoio, pelos muitos "cuidados" que pautaram meus passos mais difíceis e por ser um ouvinte de infinita paciência.

Estamos navegando em muitos barcos em comum, e por isso me identifico e me solidarizo contigo em várias situações. Me solidarizo com a sua dificuldade no curso de Física. Admito, não levo jeito para a coisa. Não tenho vontade de estudar certos assuntos da Física, não pelo conteúdo, pois sabemos que ambos somos fascinados com o Universo material, mas pela forma que os conteúdos são cobrados e ministrados. Além do mais, são poucos que conseguem trabalhar, preparar aulas, corrigir atividades, e ainda se dedicarem à Física. Mas peço que não desanime. Deus ordenou ao homem acerca de sua criação: "-Domine!" Fomos colocados sobre todas as obras do Criador, e Ele mesmo nos deu entendimento e poder sobre todas as coisas. Leve o tempo que for, concluiremos esse curso, com o louvor e admiração dos verdadeiros amigos. Os que debocham, na verdade invejam outras facetas das nossas vidas!

Também me identifico com a tua sensibilidade emocional. Já te vi chorar por pessoas que nem conheces diversas vezes. Já ouvi suas preocupações com gente que não faz parte do seu universo pessoal e já testemunhei sua alegria ao servir meia dúzia de esquecidos nas ruas de São Paulo. Saiba que o amor é o dom supremo e a marca dos que ressurgirão das cinzas para um mundo muito diferente.

Sei que você se sente deslocado no mundo. Acalme-se. O mundo não aprecia o filho que ama, respeita e admira os pais acima de tudo. O mundo não honra os que pensam mais nos outros do que em si mesmos. O mundo não entende àquele que abre mão de prazeres e regalias por causa de seus ideais. Alias, o mundo não tolera quem tem ideais. Que o seu desconforto com essas situações aumentem a cada dia. Não se deixe levar pelas correntezas da "normalidade", pois o fim delas é a grande cachoeira do esquecimento.

Mais uma vez agradeço pelas muitas vezes que abriste os portões do Monastério de Santo Chaves para esse pobre mascate entrar e fugir dos salteadores, beber água e lavar os pés. Na verdade, muitas vezes ele entrou apenas para ouvir o canto dos enclausurados e os sinos fúnebres do adeus.

Quanto ao mais, o tempo e o vento colocarão cada duna no seu devido lugar.

Obs: Parabéns pelo novo Blog.Tenho certeza que não há material online, em portueguês, e gratuíto, para o ensino a distância de Hebraíco Bíblico com a qualidade do Ivrit.