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Carta aberta aos Pajés Taboanenses



Já que os títulos desses senhores são variados (pastores, bispos, apóstolos, profetas, ... ), resolvi condensar todo esse pandemônio em um único substantivo: "Pajés".

Desde já peço perdão a comunidade indígena por comparar seus guias tão dedicados aos pérfidos encastelados desta selva de tijolos-baianos. Sou um infeliz nesta comparação, pois ofendo unicamente a cultura indígena. Mas esta corja de minha cidade é tão parva que certamente entenderá como ofensivo o elogio feito a ela. Que seja então.

O apelido surge do seguinte: As religiões tribais da América, não têm literatura que dite os fundamentos de seu credo e organização social. Essas tribos são guiadas por suas tradições, transmitidas de geração em geração. São os tais pajés que orientam toda a vida social das tribos. A sociedade não pensa por si só, mas segue os preceitos de seu líder místico.

Da mesma forma, uma fatia considerável dos cristãos de Taboão não tem pensamento próprio há muito tempo. O clero fétido dessa pequena cidade tem abusado da suposta autoridade que ele diz ter. Com o pretexto de alcançar interesses do Reino, influencia seus membros a votarem em seus indicados.

Por favor, não pensem que quero o vosso mal. Venho apenas registrar que não tenho parte convosco nesta vossa pajelança. Escrevo unicamente para denunciar o voto de cabresto promovido por vocês, "pajés". Deliberadamente, venderam o voto de suas comunidades em troca de poder político, aparatos musicais, equipamentos de som, espaços públicos para eventos, etc...

Apesar de repudiar esse abuso típico de vocês, quero dar os parabéns pela organização do esquema que evoluiu muito nos últimos anos. Conseguiram formar uma liga de patetas desocupados, que sobre o domínio de dois ou três pajesões, lançaram marionetes próprias, além de adentrarem a prefeitura e a câmara para cafés e orações. Conquistaram o prestígio e o favor da máfia que escandalizou o país com seus secretários fantasmas. Parabéns!

Entretanto, quero lembrá-los que as marionetes colocadas pelas igrejas em cargos legislativos, assim que colocam os pés na câmara, acabam virando marionetes dos outros coronéis. É só lembrar do maior escândalo político entre evangélicos de todos os tempos. O nomeado escândalo das "Sangue-Sugas" envolveu boa parte da "cambada evangélica" na mutreta do Ministério da Saúde. Além de pleitearem pela aprovação de canais de TV para os grandes impérios eclesiásticos, lutarem contra a causa homossexual e contra as pesquisas com células-tronco, os crentes de Brasília participaram do desvio de dinheiro de ambulâncias superfaturadas.

Se Taboão da Serra não resume o que acontece em todo o mundo cristão, pelo menos o que aconteceu no Brasil e nos EUA na última década encontra paralelos claríssimos nesta caixa de marimbondos de 20 km², onde os salários dos vereadores são maiores que mais da metade dos salários dos prefeitos do Estado de São Paulo, e que o salário do prefeito ultrapassa o salário de grande parte dos governadores de Estado dessa nação de poucos pajés, e muitas filas de gente sem esperança.



T.M.Vaz