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Tereza Cristina




Minha pequena irmã,
meu anjo lindo que não vi,
mas sempre vejo nos poços da saudade.

Minha pequena,
as tuas flores que nunca vi,
ainda perfumam esta casa triste,
com suas pétalas eternas presas aos sapatos dos que choram em oculto.

O teu leito que não vi
está no mesmo lugar como deixaste,
quando os loiros fios descansavam no algodão
e os lábios frios não choravam mais.

Nos fundos poços posso ver as poucas luas,
que iluminaram a sua luta em noites mágicas;
Noites lindas, noites raras que mais brilhavam
por teus olhinhos chorosos que pelos tímidos luminares.

Cada gesto teu movia estas águas de esperança,
como a brisa ondula as vítreas águas de um lago negro e tranquilo.
Como um lago soterrado,
que não antes de ti, mas contigo
desceu ao funéreo leito gelado.

Não ouvi teu choro, mas ele ainda ecoa com notívagos soluços,
que ressoam nos prados da minh'alma e me levam pra junto de ti.
Não para junto de teu berço ou de tua cadeira,
mas seguro em tuas mãos corremos juntos por uma terra de perpétua alvorada.

Ah, quando eu te encontrar minha querida,
quero parar a eternidade para estar contigo,
para ver diretamente em teus olhos o esplendor que os poços refletem perenemente.
Quero secar os meus olhos na candura de tuas vestes e descansar no teu abraço.

Mas por hora só tenho esses prismas ébanos,
esses tristes olhos de nosso pai e de nossa mãe;
esses olhos que mais parecem poços sem fundo,
que olham para o horizonte plano sem fim,
uma parede vazia, onde dormias e não dormes mais.

Ah minha linda, naquele dia só será mais linda que você,
a ressurreição desses poços aterrados,
que brotarão como uma nascente nival,
e lavarão dessas rochas toda a angústia de uma vida inteira.

Ah, que doce reunião será,
uma certeza no olhar
que essa alegria não vai ter mais fim.
Até lá Tereza Cristina.

T.M.Vaz

Desenho: Camis (mais)