2.1.08

Perestroika, O Limite Dos Sonhos


Perestroika, O Limite Dos Sonhos

Acabou-se um sonho lindo.
Morreram todos os inimigos do rei.
Onde estão os teus soldados, oh Stalingrado gloriosa?
Onde está teu muro eterno que julgavas escarlate impenetrável?

Chorem filhos do Oriente, pois morreu a sua amada. Seu vestido vermelho foi profanado. Suas rugas foram sepultadas sob negro véu sob argêntea luz de manhã funérea, adornada com flocos de neve que caem lentamente como lágrimas de Trotysk.

* * *

Após um longo minuto de silêncio sobre a cova, ouço ao longe, ressoar nos prados, o choro dos sinos das catedrais ortodoxas. A prateada luz ganha matizes nos santos vitrais, e acaricia velhas com seus rosários, não mais secretos, vigorosamente empunhados, que cruzam as portas outrora trancadas perpetuamente.

Ao longe, avisto revoadas de pombas e corvos através do Urais, de volta do exílio.
Vejo imãos que se abraçam nas ferrovias e nas portas das prisões; mães a fincar as lápides de seus príncipes recém achados e jovens a encher plenamente de liberdade seus pulmões atrofiados.

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T . M . V